Irlaine Nóbrega/Diário do Pará – A avenida Duque de Caxias, em Belém, é uma via essencial para acesso ao Hangar Centro de Convenções e Parque da Cidade, espaços centrais para os eventos da COP30, em novembro deste ano. Com localização estratégica e investimentos para aprimoração da mobilidade urbana, a avenida é caracterizada pela presença de empreendimentos em diversos setores. Com altos investimentos visando o evento, os empreendedores não esperam apenas retorno financeiro, mas o reconhecimento da gastronomia e hospitalidade paraense a nível internacional.
Há 30 anos com serviços de alimentação, o Frangão da Duque é um estabelecimento conhecido pelo seu carro-chefe: o frango assado na brasa. Com um sistema “pegue e pague”, o estabelecimento tem feito investimentos para ampliar a produção e atendimento visando a COP30. Recentemente, o estabelecimento passou pela instalação de mais um espaço de grelha para os assados, ampliação da área do estoque de alimentos e a modernização do espaço de refrigeração, que conta com nova câmara de armazenamento.
O sistema de delivery e a área de atendimento também foram expandidos. Atualmente, o salão conta com uma mesa estilo buffet para as refeições embaladas, que também passaram por adaptação e agora são vendidas em recipientes mais práticos. O empreendimento ainda tem contratado mais funcionários para atender a previsão de alta demanda.
“A gente dobrou a capacidade de produção, inclusive com funcionário e a gente ainda está contratando mais gente porque é um evento grandioso. Já ampliamos a área de atendimento e o delivery vai ser ampliado também. Estamos estudando para abrir à noite e isso vai demandar mais mão de obra. Estamos com a expectativa de dobrar ou triplicar a venda. Em relação a questão da língua, como se comunicar com essas pessoas, a gente está pensando se vai contratar uma pessoa ou usar um aplicativo, um tradutor para facilitar a nossa vida”, disse José Carlos Lins, um dos proprietários do Frangão da Duque.
Com um cardápio extenso, também ampliado para o evento, o estabelecimento vende diversas comidas regionais, como vatapá, maniçoba, caruru, camusquim e açaí; além de pratos tradicionais da culinária brasileira, como o churrasco, arroz com galinha, feijoada e feijão tropeiro. A diversidade de pratos atende cerca de 200 pessoas diariamente, sendo 100 no delivery e 100 presencialmente. Nos finais de semana, o movimento é maior, dobrando a quantidade de clientes.
“Estamos com uma boa expectativa. Por isso, estamos investindo em atendimento para que os visitantes falem bem da nossa cidade. São muitas obras que estão sendo feitas e nós estamos fazendo a nossa parte também. Estamos esperando um bom faturamento porque o investimento também está sendo bem alto com a compra de todos os equipamentos. Ainda temos outras mudanças, precisamos colocar algumas placas ou tabelas de preço em duas ou três línguas e investir em mais mão de obra”.
HOSPEDAGEM
Com seis anos de atuação no mercado hoteleiro, o Hangar Hostel House, na Duque com a rua Tupi, tem vasta experiência na hospitalidade de turistas que participam de eventos no Centro de Convenções.
Com lotação máxima de vinte pessoas, os leitos são distribuídos em sete quartos nas configurações de suíte familiar, quartos de solteiro e casal. O hostel trabalha com uma proposta diferente, com hospedagem em suítes privadas, sem café da manhã incluso, mas tendo a cozinha e sala de jantar como áreas comuns aos hóspedes. Focado no público executivo, em um conceito de baixo custo, o empreendimento vem se preparando para atender a esta demanda.
“Nesse tipo de evento não vem apenas diplomatas, líderes dos países, vem pessoas da imprensa, acadêmicos, funcionárias de empresas privadas, dos governos federal, estadual e municipal. É mais esse público que a gente quer atender, até porque a nossa proposta é mais virada para o low cost [baixo custo], com bom custo-benefício. Queremos entender a necessidade deles para montar uma proposta. Já tivemos aproximações com algumas embaixadas e com algumas agências do governo federal”, contou o proprietário e gerente do Hangar Hostel House, Camilo Vargas.
A expectativa é que os quartos estejam todos ocupados durante o evento. Com o objetivo de garantir um bom faturamento, os valores da diária devem ter reajuste, porém sempre mantendo o conceito de um bom custo-benefício. Para combater a alta especulação dos custos de hospedagem, o proprietário tem investido no contato e contratação do serviço diretamente com o cliente.
“A gente tem trabalhado mais no Google para fechar diretamente com os clientes. Ele acha a gente por uma pesquisa no Google e fecha diretamente com o hostel. Então, vai ter uma alta procura assim como tem no Círio de Nazaré e nos jogos de futebol, mas a ideia é não cobrar valores astronômicos”.
SABOR
- Há mais de 20 anos no mercado paraense, a sorveteria e lanchonete IceBode oferece mais de 30 sabores de sorvete e picolé, com destaque para os regionais, como açaí, bacuri, carimbó e paraense. A empresa conta com sete lojas, sendo seis em Belém e uma em Salinópolis, além das franquias espalhadas por todo o Pará.
- Com a proximidade da COP30, o estabelecimento também vem se preparando para ser referência como ponto gastronômico na Duque de Caxias. Para isso, a unidade deve passar por uma reestruturação, com a troca do piso, revestimento das paredes e novos banheiros.
- Além da reforma da loja, a proprietária Yedda Laiun tem investido na capacitação da equipe de colaboradores através de aulas de inglês. Outro ponto importante é o lançamento de novos produtos. Em parceria com uma instituição de ensino superior, o empreendimento tem trabalhado para produzir sabores que remetem a localidades do estado.
- “Estamos montando um projeto com o pessoal da Federal para produzir sabores que remetem a alguns lugares do nosso estado. Serão produtos regionais com as nossas frutas focando na economia local. A gente já trabalha procurando favorecer as comunidades. Compramos, por exemplo, o açaí in natura de três comunidades. Então, vamos fazer um projeto muito bacana pensando justamente nisso. Estamos pensando em um projeto de lançar um produto com nome desse tal lugar”.
- Para Yedda, o evento internacional sobre mudanças climáticas pode ser uma oportunidade não somente financeira, mas de projeção da cultura gastronômica paraense para o mundo. “Eu não penso só no faturamento porque acho que isso vai ser dividido entre todos. Acho que a gente tem que pensar no futuro do nosso estado e as obras que vão ficar para o benefício futuro. São coisas que estão acontecendo que talvez não acontecessem tão cedo. A COP veio para alavancar o nosso estado e a gente tem que continuar esse trabalho focando no nosso turismo. Acho que o nosso estado é muito rico não só na culinária, mas tem outras pontos que podemos investir no turismo”, afirmou.
- Para que isso ocorra, o investimento será concentrado na experiência do cliente. “O nosso diferencial vai ser justamente na experiência do cliente. Estamos fazendo essa obra para melhorar essa relação em nossos estabelecimentos, oferecendo produtos com qualidade e com frutas regionais. Ainda vamos fazer os cardápios em outras línguas e estamos querendo fazer um mostruário com as frutas porque os clientes chegam e não sabem o que é o bacuri, cupuaçu, o açaí. Hoje o que mais sai são os sabores regionais, então é importante que eles saibam como é a fruta, como é colhida, se é azeda ou não”, revelou Yedda Laiun.