Lucas Contente/DOL – Durante uma coletiva realizada neste sábado (15) na Blue Zone da COP30, o presidente da conferência e embaixador André Corrêa do Lago, e o Campeão Climático da COP30, Dan Ioschpe, apresentaram um balanço das ações implementadas na primeira semana do evento e avaliaram o andamento das negociações.
Corrêa do Lago afirmou que propostas de consolidação apresentadas pelos países estão sendo consideradas pela presidência, mas destacou que não há um plano fechado. “Vamos ver como as coisas evoluem, mas isso não é uma decisão previamente definida pela presidência”, disse.
O embaixador também ressaltou o engajamento de setores econômicos brasileiros no processo de transição. Segundo ele, há pouco mais de um ano foram solicitadas contribuições de áreas como transporte, agricultura, mineração e construção sobre caminhos para avançar em descarbonização. “Fiquei impressionado com o comprometimento e com o volume de relatórios recebidos, muito além do que esperávamos”, afirmou.
Um dos destaques veio de instituições da Amazônia. Universidades e centros tecnológicos da região apresentaram propostas dentro de uma das etapas da agenda de ação da COP, relacionada a 30 temas em discussão. “Esse trabalho tem funcionado de maneira extraordinária”, avaliou Corrêa do Lago.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também foi citada por reunir mais de 4.500 contribuições no grupo ESPCOM, criado para organizar propostas do setor produtivo. Para o presidente da COP30, esse movimento demonstra uma mudança de postura. “Há dois anos muitos países em desenvolvimento viam essa agenda como um obstáculo. Agora, há um entendimento crescente de que ela representa a economia do futuro”, afirmou.
Avanços e programas anunciados
Durante a coletiva, Dan Ioschpe respondeu a perguntas sobre pontos considerados avanços na agenda de implementação. Ele apresentou números atualizados de iniciativas apoiadas pela conferência.
Um deles é o Race to Resilience, que registrou melhorias nas condições de resiliência para 437,7 milhões de pessoas ao redor do mundo. Segundo Ioschpe, apesar do número expressivo, ele representa apenas uma em cada 18 pessoas globalmente.
Outra ação mencionada foi o Super Pollutant Action Accelerator, que destinará 20 milhões de dólares para sete países — entre eles Indonésia, Nigéria e México — na fase inicial. A meta é ampliar o programa para 150 milhões de dólares, o que poderia garantir repasses de 4 a 5 milhões de dólares por país nos próximos três anos.
A Net Zero Utilities Alliance também anunciou compromissos de investimentos de 150 bilhões de dólares em energias renováveis, redes elétricas e sistemas de armazenamento, com um pipeline de projetos avaliado em 1 trilhão de dólares até 2030.
Ioschpe destacou ainda o compromisso de multiplicar por quatro o uso de combustíveis sustentáveis até 2035 — medida considerada estratégica para setores de difícil descarbonização, como aviação, navegação, siderurgia e cimento.


