Discutir o mercado de carbono em um ano em que a transição energética e a agenda climática estão na pauta central do mundo, se torna ainda mais relevante.
“E o Brasil conta com um “mar de oportunidades” para se destacar”, afirmou a head global de Soluções de Carbono da Ambipar, Soraya Pires, ao participar do “CNN Talks: COP30 – A Chave para o Futuro”, realizado em Brasília na quarta-feira (7).
A expectativa é de que a COP 30 realizada em novembro, em Belém estimule uma agenda voltada ao futuro sustentável, onde o alinhamento entre produtividade e sustentabilidade transformem o Brasil em portência verde, sem abrir mão da competitividade global.
Mercado de carbono
“Quando olhamos em termos de florestas, temos hoje um maciço florestal único, com capacidade de gerar aproximadamente 15% de toda a produção de créditos mundiais. Temos também outros biomas, como o Pantanal e a Mata Atlântica, com uma diversidade de recursos ainda muito pouco explorada”, destacou a executiva.
“Isso, olhando apenas para as nossas florestas em pé, no contexto da agenda de conservação florestal. Temos, ainda, um potencial incremental de sequestro de carbono por meio do reflorestamento de áreas com passivo legal de vegetação nativa”, acrescentou.
Segundo ela, o país conta também com áreas áreas degradadas, especialmente no setor agropecuário, onde é possível integrar a produção de alimentos com a adoção de práticas sustentáveis de uso da terra — como sistemas integrados, manejo adequado de pastagens e recuperação de solos —, resultando na geração de créditos de carbono no escopo de Agricultura, Florestas e Outros Usos da Terra (AFOLU, na sigla em inglês).
Segundo a head global de Soluções de Carbono da Ambipar, a agenda de soluções baseadas na natureza, como a conservação e a restauração de ecossistemas, podem posicionar o Brasil como responsável por até 30% da oferta global de créditos de carbono voltados à compensação de emissões.
“Ao contrário da agenda de cana-de-açúcar e de óleo e gás, a do mercado de carbono é relativamente jovem, com aproximadamente 20 anos. O setor passou por uma série de incertezas e instabilidades, mas agora contamos com uma lei recém-sancionada e ainda pendente de regulamentação, que foi desenhada de forma muito inteligente. Neste sentido, a COP30 representa a possibilidade de o Brasil se consolidar como protagonista. Essa é a oportunidade de demonstrarmos que temos soluções concretas para a agenda climática e para o desenvolvimento do mercado regulado de carbono no Brasil.”, concluiu.