Povos indígenas exigem participação ativa em debates climáticos

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Júlia Marques/DOL – Nesta terça-feira (18), durante a mesa redonda “Conectando Agendas de Ação da COP16 à COP30: Fortalecendo Sinergias entre Terra, Clima e Natureza”, Ronaldo Amanayé, líder indígena e coordenador executivo da Federação Paraense de Povos Indígenas, reforçou a urgência de incluir as comunidades tradicionais nas decisões sobre o futuro do planeta.

Representando mais de 300 comunidades da Aldeia COP, ele falou sobre a necessidade de incluir as comunidades indígenas da Amazônia nas discursões sobre o combate às mudanças climáticas. “Nós também somos autoridades climáticas. É fundamental que nós ocupemos esses espaços de decisão”, afirmou Amanayé, lembrando que a presença indígena vai além de simbolismo e se torna essencial para garantir a preservação da Amazônia e das sociedades tradicionais.

Durante o debate, o líder destacou a importância da demarcação de terras como instrumento não apenas de proteção territorial, mas também de equilíbrio climático global. “A demarcação dos nossos territórios é fundamental para a preservação e manutenção da diversidade na Amazônia. Precisamos de financiamento direto para nossos territórios, sem intermediários”, disse.

Amanayé criticou a visão reducionista da floresta como apenas uma imagem de satélite e reforçou a experiência ancestral das comunidades na gestão ambiental. “A maior sinergia está dentro dos territórios indígenas, entre nós e a floresta. Nossos territórios estão sendo violados por grandes milícias, garimpeiros e madeireiros, e precisamos de apoio real para implementar nossos planos de gestão ambiental”, declarou.

Para o líder indígena, a presença das comunidades tradicionais nas negociações climáticas é também uma questão de justiça. “A ciência diz que somos racionais, mas que espécie de racionalidade destrói o planeta? Precisamos que as decisões sobre financiamento e políticas climáticas considerem nossa competência técnica, jurídica e administrativa”, concluiu.

O discurso de Amanayé marcou a mesa redonda não apenas pela denúncia das ameaças aos territórios, mas pelo apelo a ações concretas de reconhecimento, participação ativa e recursos destinados diretamente às comunidades que protegem a Amazônia e contribuem para a manutenção do equilíbrio ambiental global.

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