Rafael Rocha – Neste Carnaval, o tradicional bloco Rabo do Peru, que é realizado na tarde de toda Quarta-feira de Cinzas, em Icoaraci, vai completar 30 anos de folia e trazer o tema “Da natureza, pela natureza e para a natureza”, fazendo referência à COP 30 que vai ser realizada na capital paraense em novembro.
De acordo com o presidente e fundador do Rabo do Peru, Marcos Antônio Soares, os preparativos para o bloco estão a todo vapor. “Inclusive, tem o samba feito pelo Júnior Rego e Luis Lima. São dois sambas diferentes enaltecendo a COP 30 no nosso estado e também o bloco Rabo do Peru que faz três décadas”.
Serão dois trios elétricos, com a banda Portal do Arrocha e o cantor Luis Lima, além de cinco carretinhas. A expectativa da coordenação do bloco é que mais de 300 mil pessoas participem da folia. “A gente coloca esse povo aqui dentro de Icoaraci e gera emprego, renda e turismo. É tudo de bom, porque nós já resgatamos essa página da nossa cultura que é o verdadeiro Carnaval de rua de Icoaraci”.
O bloco tem um carro que simboliza a ave, um peru que mede cerca de cinco metros de altura, e a organização oferece um sopão aos brincantes antes do arrastão. A concentração será no dia 5 de março, às 15h, na travessa da Soledade, entre as ruas Manoel Barata (segunda rua) e Padre Júlio Maria (terceira rua), entrando na rua 15 de agosto (quarta rua) até chegar na travessa Pimenta Bueno.
No ano passado, o Rabo do Peru foi declarado como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Pará, a partir de decreto publicado no Diário Oficial do Estado, por meio da Lei 10.543, de 6 de junho de 2024. “Nós temos uma história consolidada porque nessas três décadas, todos os anos nós crescemos. O que a gente gosta de fazer é a alegria do povo. Tenho certeza que o bloco Rabo do Peru vai fazer um dos maiores desfiles já visto na história de Icoaraci”, comenta Marcos Antônio Soares.
Memória
Ainda de acordo com o idealizador do Rabo do Peru, em 14 de junho de 2023, o Ninho do Peru, a sede social do bloco, recebeu o certificado de “Ponto de Memória”, concedido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Ministério da Cultura. O bloco começou na década de 90, após 15 amigos se reunirem para lavar o bar de propriedade de Marcos Antônio Soares, na rua 15 de Agosto, em uma Quarta-feira de Cinzas. Concluído o serviço, os amigos pediram emprestado instrumentos musicais do bloco Cabeça Fria e seguiram para o igarapé Porto do Uxi, no Paracuri, em Icoaraci.