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Não apenas a beleza natural tão característica, mas também a distância de cerca de 70 km do centro da capital paraense coloca o distrito de Mosqueiro na rota da movimentação que deve ser gerada em Belém durante a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em novembro de 2025. E para quem já consegue visualizar o legado deixado na Região Metropolitana por um evento de tamanha grandiosidade, os benefícios já começaram a ser colhidos.

A casa que antes a família costumava frequentar apenas aos finais de semana e no feriado do final do ano passou a ter outro significado quando a assistente social Leide Silva começou a considerar os impactos positivos gerados pela realização da conferência do clima em Belém. Ela lembra que a ideia de reformar a casa para disponibilizar para aluguel por temporada e para eventos até já tinha sido considerada, mas sempre faltou uma motivação a mais que a fizesse colocar o projeto em prática.

“A gente até tinha a ideia, mas faltava aquele empurrãozinho e quando a gente viu que a COP vinha para Belém, a gente pensou que era a oportunidade que a gente estava esperando”.

Leide começou a fazer as intervenções na casa, batizada como Recanto dos Aruãs, localizada em frente a praia do Carananduba, em Mosqueiro, em março de 2023 e antes mesmo que concluísse a reforma já começaram a aparecer pessoas interessadas. O primeiro aluguel se concretizou apenas em novembro e, desde então, a demanda tem sido intensa.

“Veio um grupo conhecer a casa através da indicação de alguém que estava trabalhando aqui na reforma e foi quando eu reservei o meu primeiro aluguel para novembro de 2023. Depois disso, o mês de dezembro foi todo fechado com confraternizações. Aí já emendou com o ano novo, com o carnaval, depois com a Semana Santa e para o mês de julho deste ano as reservas já estão todas fechadas e eu tenho fila de espera para o caso de alguém desistir”, conta a empreendedora.

“O que eu vejo é que a COP ainda nem chegou, mas já está trazendo benefícios. Todo final de semana a casa está alugada e o que eu estou ganhando, eu ainda estou investindo porque quando chegar a COP, eu vou estar com a estrutura ainda melhor. Então, é uma oportunidade e a vantagem é que ainda nem chegou, mas você já está colhendo”.

Leide Silva no Recanto dos Aruãs

Entre os investimentos já realizados por Leide estão a instalação de placas de energia solar, uma cascata na piscina, a criação de um salão de jogos e parquinhos para as crianças. Para além do maior lazer e conforto, as intervenções ainda estão alinhadas a práticas mais sustentáveis.

“A água da cascata da piscina, por exemplo, é o filtro da piscina que nós adaptamos para não gastar mais água. Então, ao mesmo tempo que a cascata está ligada, ela está filtrando a água da própria piscina. Na questão do lixo, eu coloco no anúncio que se os hóspedes devolverem a casa limpa, com o lixo separado, eu não cobro a taxa de limpeza que normalmente é cobrada. Com isso, eu estou conseguindo que os hóspedes já façam a separação do lixo, então é separado lata, vidro, orgânico. Já é uma educação ambiental também”.

Para que todo esse conhecimento e estratégia fosse colocado em prática, a assistente social lembra que também buscou qualificação na área do empreendedorismo, um universo novo para Leide, mas que foi prontamente abraçado por ela.

“Eu já estou fazendo alguns cursos do Sebrae, que estão me ajudando muito na questão do marketing, a ter um diferencial nas redes sociais”, conta Leide. “E isso tudo é graças a ideia da COP e o que a gente espera é que o legado continue porque é isso que a gente quer. A COP ainda não chegou, mas eu vejo as oportunidades surgirem e não só eu. Eu converso com outras pessoas, outros moradores que também já estão arrumando a casa para alugar na COP, então, a gente está vendo um legado que já está chegando e que vai permanecer”.

Além do próprio negócio, Leide também tenta estabelecer parcerias com outras pessoas que vivem no distrito, já pensando nas possíveis demandas que podem surgir no período da conferência. Ela já vem conversando com conhecidos que são taxistas ou motoristas por aplicativo para o caso de ser necessário buscar os hóspedes em Belém.

Turistas e moradores de Belém costumam visitar a ilha, que tem em suas praias a maior visibilidade, além de locais históricos

Quando seus hóspedes pedem indicação de churrasqueiro, por exemplo, a empreendedora também faz questão de indicar moradores do próprio bairro do Carananduba, assim como as profissionais que fazem a limpeza da casa. Com isso, a perspectiva é de que a demanda gerada pela COP30 promova geração de renda não apenas para ela, mas para a comunidade, para Mosqueiro.

“Estou vendo essas possibilidades e o meu olhar de empreendedora que está iniciando me mostra que se tivesse um pouquinho mais de parceria com a Prefeitura, as coisas andariam ainda mais”, considera.

“O que eu sinto falta é do poder público da Prefeitura. Aqui na frente, em junho do ano passado, eu tive que me reunir com os vizinhos para contratar aquelas máquinas para limpar a prainha. A nossa pracinha do Carananduba está totalmente abandonada. Todo ônibus que vem de Belém para ali, mas está difícil de ficar porque até a cobertura está ruim. Então, a gente faz o nosso, os vizinhos aqui são parceiros na questão da limpeza, de ajeitar tudo, mas é difícil quando a gente não tem parceria da Prefeitura”.

Em outro ponto bastante frequentado da ilha de Mosqueiro, na praia do Ariramba, as oportunidades geradas pela COP30 também já estão no radar de Sofia Louchard, uma das proprietárias do Restaurante e Hotel Jurubeba.

“A gente espera muito que Mosqueiro também esteja no foco e no raio de investimento que vai vir agora para a COP. Estamos com uma ampliação no hotel, a gente já ampliou alguns apartamentos e estamos com uma ampliação também no restaurante do Marahú, isso tanto para a COP, como a gente acha também que com os frutos da COP o Pará vai estar em foco”, pontua.

“A gente acredita que por muitos anos Mosqueiro também vai estar nesse fluxo de pessoas que eu acredito que ainda vai aumentar muito no Pará, principalmente agora que está havendo muito investimento do governo para a questão do turismo, para a questão de eventos. E a gente acredita que Mosqueiro vai estar nessa rota de investimentos. Vai ser uma oportunidade para todo mundo”.

Além dos dois restaurantes e do hotel no Ariramba, Sofia aponta que outro restaurante na praia do Marahú já está passando por reforma e a família estuda a possibilidade de fazer um segundo hotel no Marahú. Enquanto esses investimentos são realizados, o hotel já em funcionamento vivencia uma lotação de quase 100% todo final de semana.

“A gente tem muita parceria com guias, então, a gente acaba recebendo muita gente de fora do Brasil e também de outros Estados como Amazonas, Maranhão, Paraná, São Paulo, principalmente em dia de semana. Eles já perguntam sobre a COP, se a gente está capacitando os nossos funcionários no inglês e no espanhol e a gente tem realizado isso. A gente acha que a COP vai ser muito importante para toda a Região Metropolitana de Belém”.

Para que esse potencial possa ser mais bem aproveitado, Sofia acredita que algumas melhorias precisam ser feitas também no distrito, sobretudo no que se refere à mobilidade.

“A gente tem tido uma dificuldade com a questão da mobilidade do transporte, o que é muito difícil, já que a maioria dos nossos clientes são de Belém. Então, a gente acredita que na parte de investimento, a questão da mobilidade precisa de uma melhoria e também a cultura. Alguns eventos em Mosqueiro deixaram de acontecer e a gente espera que volte, principalmente no final de ano e junho. O nosso carnaval, durante muitos anos, era um grande carnaval, mas tem acabado”, considera, ao apontar que o negócio da família emprega, hoje, 42 funcionários, todos de Mosqueiro. “Mas a gente acredita que a COP, para quem se preparar, vai ser ótima”.

Esse também é o entendimento do autônomo Uivo Muniz Saraiva. O mosqueirense trabalhou por mais de uma década em um tradicional hotel localizado na Praia do Farol e lembra da época em que as atrações culturais ajudavam a atrair visitantes que lotavam hotéis e pousadas.

“Antes era melhor, era tanta coisa liberada para Mosqueiro, mas hoje em dia muita coisa foi tirada. Eu trabalhei no Hotel Farol desde 1994 até 2005 e naquela época ainda tinham os trios elétricos no carnaval, em Mosqueiro. Mas depois foi tirando tudo e foi diminuindo os visitantes também”.

Trabalhando, atualmente, em outro ponto de grande movimentação em Mosqueiro nos períodos de alta temporada, a Praça da Vila, onde fica a Tapiocaria, ele espera que a COP30 possa contribuir para atrair novos visitantes para a ilha.

“A gente fica na esperança que melhore para nós porque a gente que trabalha aqui em Mosqueiro depende do turismo. Então, quanto mais gente quiser vir visitar, melhor. Julho e final de ano é quando o movimento é melhor, fora disso o movimento é pequeno”.

 

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